Darkness.

sábado, 12 de maio de 2012


     "A brisa silenciosa alcançava minha pele em um doce toque gelado - porém carinhoso - e garoa fina que caía sobre mim lavava meu rosto, tentando mandar embora toda a culpa sem motivos que me dominava. Eu estava descalça, de modo que podia sentir a grama molhada entrando em contato direto com a minha pele, e a energia que ela transmitia por todo o meu corpo. O escuro me cercava por completo, fazendo com que eu só pudesse ser guiada pela minha audição, meu tato e último - mas não menos importante - a minha intuição. A parte de mim mais conhecida por todos me mandava seguir em frente, quase implorando para que eu andasse adiante e descobrisse o que tanto me chamava. Mas o meu outro eu, que preferia manter-se escondido e protegido de tudo e de todos, pedia para que eu apenas me sentasse no chão e esperasse alguém aparecer. Como de costume, ouvi a voz que, aos gritos, me dizia: “Ande, garota, vamos lá, estamos quase chegando, eu sinto isso!”. E de repente uma pequena luz se acendeu alguns metros à minha frente. Junto com essa luz, acendeu-se dentro de mim a esperança de sair da noite, de deixar a escuridão para sempre. E quando eu estava quase alcançado-a, mãos fortes seguraram meus braços.
- Sinto muito, querida, mas você não pode chegar até ela – a voz rouca e baixa dizia, mencionando a luz tão desejada por mim.
- Porque não? – perguntei, sentindo o sangue fugir da parte dos meus braços que a pessoa - ou o monstro ou sei lá o que – segurava.
     Deu uma gargalhada alta, e senti meu corpo todo estremecer assim que aquele som invadiu os meus ouvidos.
- Porque você não pertence a eles – disse, apertando mais meus braços e aproximando-se de mim. Roçou a ponta do nariz no meu lóbulo esquerdo e continuou: - Você é nossa a partir de agora."

*Esse é o prólogo de umas das minhas histórias não terminadas, que por enquanto só é chamada de "Projeto 1". rs

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