"A brisa silenciosa alcançava minha pele em
um doce toque gelado - porém carinhoso - e garoa fina que caía sobre mim lavava
meu rosto, tentando mandar embora toda a culpa sem motivos que me dominava. Eu
estava descalça, de modo que podia sentir a grama molhada entrando em contato
direto com a minha pele, e a energia que ela transmitia por todo o meu corpo. O
escuro me cercava por completo, fazendo com que eu só pudesse ser guiada pela
minha audição, meu tato e último - mas não menos importante - a minha intuição.
A parte de mim mais conhecida por todos me mandava seguir em frente, quase
implorando para que eu andasse adiante e descobrisse o que tanto me chamava.
Mas o meu outro eu, que preferia manter-se escondido e protegido de tudo e de
todos, pedia para que eu apenas me sentasse no chão e esperasse alguém
aparecer. Como de costume, ouvi a voz que, aos gritos, me dizia: “Ande, garota,
vamos lá, estamos quase chegando, eu sinto isso!”. E de repente uma pequena luz
se acendeu alguns metros à minha frente. Junto com essa luz, acendeu-se dentro
de mim a esperança de sair da noite, de deixar a escuridão para sempre. E
quando eu estava quase alcançado-a, mãos fortes seguraram meus braços.
-
Sinto muito, querida, mas você não pode chegar até ela – a voz rouca e baixa
dizia, mencionando a luz tão desejada por mim.
-
Porque não? – perguntei, sentindo o sangue fugir da parte dos meus braços que a
pessoa - ou o monstro ou sei lá o que – segurava.
Deu uma gargalhada alta, e senti meu corpo
todo estremecer assim que aquele som invadiu os meus ouvidos.
-
Porque você não pertence a eles – disse, apertando mais meus braços e
aproximando-se de mim. Roçou a ponta do nariz no meu lóbulo esquerdo e
continuou: - Você é nossa a partir de agora."
*Esse é o prólogo de umas das minhas histórias não terminadas, que por enquanto só é chamada de "Projeto 1". rs

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