domingo, 19 de agosto de 2012

     A única coisa que eu queria - naquela noite sombria - era quebrar todas as correntes que me mantinham preso; não apenas à grande cruz de concreto na entrada do cemitério, mas também aos medos e culpas do meu passado. Costumam dizer que um grande homem toma frente da situação e domina seus medos. Mas... E quando esses medos, além de te dominarem, se tornam você? O que você pode fazer parar enfrentar a si mesmo?

     Eu queria esquecer dos erros que cometi, assim como, vez ou outra, esqueço de respirar. Assim como, vez ou outra, esqueço de como se faz para viver. Assim como, vez ou outra, esqueço de ser quem sou. Afinal, já deixei de sonhar. Já deixei de agir... Apenas existo. Vagando sem nenhum destino, me perdendo em cada beco da minha alma vazia e dessas ruas escuras e frias da cidade. Encontrando pessoas que continuam buscando a razão de seguir em frente. De substituir o passado, dominar o presente e olhar apenas para o futuro. 
     Ah, queria eu ter essa coragem! Coragem de buscar a salvação em um mundo onde já não há mais esperança; onde tudo que conhecemos - e até mesmo o que deixamos de conhecer - é frio e cheio do sentimento mais venenoso: o ódio. Coragem de tentar encontrar o meu caminho dentro dessa humanidade perdida, sofrida, quebrada,  maltratada... Esquecida e, mesmo sendo cheia, sempre tão vazia. 
     As pessoas me julgam por viver na escuridão. Me julgam por estar sempre fugindo do contato com outras pessoas, outras almas, outras ideias, outras vidas. Mas de que me adiantaria deixar o meu inverno aconchegante para buscar um verão desconfortável e torturante? Não me importo em viver na solidão, desde que a minha mente não me abandone.   

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